Facebook promete ser mais ‘agressivo’ com discurso de ódio contra minorias

Facebook promete ser mais ‘agressivo’ com discurso de ódio contra minorias

Documentos internos do Facebook obtidos pelo jornal americano The Washington Post indicam que a empresa será mais vigilante e “agressiva” na detecção de postagens com discurso de ódio direcionado contra minorias. A iniciativa, conhecida como WoW Project, inclui a revisão de algoritmos da rede social.

Um dos principais objetivos da empresa é reverter a prática de ser race-blind (do inglês “cego à raça”), que consiste em agrupar as ofensas sem considerar a etnia que foi atacada. Em outras palavras, ofensas contra negros, muçulmanos, pessoas miscigenadas, a comunidade LGBTQ e judeus serão consideradas mais graves comparadas aos ataques contra pessoas brancas.

Ainda em fase inicial, o projeto promete deixar o sistema de moderação do Facebook mais preciso e, de certa forma, justo, já que deixará de tratar igualmente frases como “gays são nojentos” e “homens são porcos”. Ambas continuarão sendo tratadas como discursos de ódio, categorizado pela empresa como falas “violentas ou desumanas”. Por outro lado, as ofensas direcionadas a brancos, homens e até mesmo americanos serão consideradas de “baixa sensibilidade”, e não serão mais sumariamente deletadas.

Ativistas pelos direitos civis apoiaram à decisão. Arisha Hatch, vice-presidente da organização Color of Change, avaliou os documentos internos do Facebook, e apesar de declarar que não sabia das mudanças propostas pela rede social, disse serem bem-vindas. “Para mim, é uma confirmação do que exigimos há anos, a aplicação de um sistema que leve em consideração o poder e as dinâmicas históricas”, opinou Hatch ao The Washington Post.

A porta-voz do Facebook, Sally Aldous, disse que a empresa está valorizando a opinião de quem entende do assunto. “Sabemos que o discurso de ódio direcionado a grupos sub-representados pode ser ainda mais danoso, e é por isso que estamos focando nossa tecnologia no que os usuários e especialistas apontam como sendo mais sério”, afirmou a representante.

Ainda segundo Aldous, as mudanças estão acontecendo já há algum tempo. “No último ano, nós também atualizamos nossas políticas para identificar discursos de ódio mais implícitos, como conteúdo de blackface, estereótipos sobre judeus controlarem o mundo e banimos negações do Holocausto”, explicou.

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